Guia completo da urticária: tipos, causas e tratamento

Muitos pacientes chegam ao consultório se queixando de manchas vermelhas que coçam muito, aparecem do nada e somem sem avisar. Essas crises de urticária, além de incômodas, mexem com o sono, o humor e roubam a sua paz.

Mas você não precisa enfrentar isso sozinho, pois a medicina está aqui para dar direção, segurança e alívio. A urticária assusta porque é imprevisível, mas ela segue padrões.

Quando identificamos o tipo, entendemos os gatilhos mais prováveis e definimos o tratamento adequado, a pele costuma responder muito bem.

Neste guia, vou explicar o que é urticária, quais tipos existem, por que acontece e como tratamos. Por fim, você vai entender quais sinais merecem atenção imediata e quais passos costumam resolver a maioria dos casos. 

O que é urticária 

É uma reação da pele que forma vergões, também chamados de pápulas ou placas. Essas lesões são elevadas, avermelhadas e coçam bastante. 

Os vergões também podem ser pequenos, como uma picada, ou grandes, ocupando áreas inteiras.

O que caracteriza a urticária é a rapidez. As lesões aparecem de repente e costumam mudar de lugar. Uma placa surge no braço, some em poucas horas e, depois, aparece na perna. Isso é bem típico e ajuda no diagnóstico.

Por trás disso, geralmente existe a liberação de histamina e outras substâncias inflamatórias por células da pele chamadas mastócitos. 

A histamina dilata vasos, causa inchaço e dá aquela coceira intensa. Em outras palavras, não é frescura. É uma reação real e bastante desconfortável. 

Tipos de urticária

É possível classificar pelo tempo e pelo estímulo que desencadeia. Isso ajuda a escolher o tratamento certo e a evitar investigações desnecessárias.

Aguda

É uma urticária que dura até 6 semanas. Pode ser um episódio único ou alguns surtos próximos. É muito comum após:

  • infecções virais (inclusive resfriados);
  • uso de alguns medicamentos (como anti-inflamatórios);
  • picadas de inseto;
  • ingestão de alguns alimentos.

A boa notícia é que a maioria das urticárias agudas melhora completamente. O foco aqui é aliviar a coceira e observar sinais de gravidade.

Crônica

Quando os sintomas persistem por mais de 6 semanas, chamamos de urticária crônica. Ela pode aparecer quase todos os dias ou em crises recorrentes.  Pode ser causada por doenças crônicas,  autoimunes ou ser idiopática.

A urticária crônica pode ser exaustiva e durar por um período prolongado, de meses a anos, mas quase sempre conseguimos controlar muito bem, com estratégia e acompanhamento. 

Induzida ou física

Aqui, existe um gatilho claro relacionado a estímulos do ambiente ou do corpo. Os exemplos mais comuns são:

  • Por pressão: a pele fica com vergões após arranhões e contato da pele com roupas apertadas, superficies com texturas e contato com quinas de mesas, também a chamamos de dermografismo, por parecer que “escrevemos na pele”.
  • Frio: lesões que aparecem após contato com água fria ou vento gelado;
  • Calor e suor: surgem em banhos quentes e ao exercício;
  • Solar: desencadeada pela exposição ao sol, com versões onde a pele foi exposta.

Quando identificamos o padrão, você pode reduzir o estímulo da pele, porque entende o motivo das crises, com alivio dos sintomas. Consequentemente, o plano de prevenção e tratamento também fica muito mais claro.

Causas mais comuns: o que eu investigo na consulta

Antes de pedir uma lista de exames, eu prefiro fazer perguntas durante a consulta, pois a história que você conta dá as melhores pistas para o diagnóstico:

  • quando começou;
  • quanto tempo dura cada lesão;
  • se muda de lugar;
  • se teve febre;
  • se teve infecção recente;
  • quais medicamentos usa;
  • como é a rotina;
  • se há estresse intenso;
  • se existe algum gatilho que foi percebido.

Algumas causas e associações frequentes incluem:

  • infecções recentes;
  • resfriados, sinusites, infecções urinárias e viroses podem “acordar” a urticária;
  • às vezes a infecção já passou e a pele continua reagindo por um período.

Medicamentos

Anti-inflamatórios, como ibuprofeno, diclofenaco e outros, são campeões em piorar urticária em algumas pessoas, o que ocorre em 30% das pessoas com urticaria crônica. 

Antibióticos também podem estar envolvidos, mas nem sempre são os vilões. Às vezes a infecção que levou ao antibiótico é que desencadeou a urticária. 

Alimentos

Em urticária aguda com início rápido após comer, investigamos alimentos específicos. Já na crônica, cortar tudo raramente resolve e costuma só aumentar ansiedade e restrição.

Estresse e privação de sono

Estresse não gera a urticária, mas pode piorar muito a que você já tem. O corpo sob tensão libera substâncias que amplificam inflamações. Eu costumo dizer que o estresse é gasolina numa fogueira que já existe.

Urticária crônica espontânea, sem causa definida

Em muitos casos crônicos, não encontramos um gatilho externo. Isso não significa que é psicológico. Significa que há uma desregulação da imunidade, que o problema está na forma como os mastócitos estão reagindo e isso tem tratamento.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico de urticária é clínico, a partir do exame da pele e uma boa conversa. 

Exames complementares entram quando o padrão sugere algo específico, quando há sinais de alerta ou quando a urticária é crônica e precisamos mapear fatores associados.

Tratamento: o que realmente funciona 

A base do tratamento da urticária são os anti-histamínicos, medicamentos que bloqueiam a ação da histamina. 

Eles reduzem coceira, vermelhidão e formação de vergões. Existem opções mais modernas que costumam dar menos sono e permitem vida normal.

Em crises muito fortes, pode ser necessário usar corticoide por curto período, evitando os temidos efeitos colaterais.

Em casos de urticária crônica que não responde ao tratamento habitual, existem terapias avançadas e muito eficazes, inclusive medicamentos imunobiológicos, que mudaram completamente a vida de muitos pacientes que acompanho e que sofreram por anos com a doença. 

Cuidados práticos em casa

Algumas medidas do dia a dia ajudam muito, principalmente enquanto o remédio faz efeito:

  • banhos mornos a frios e rápidos;
  • hidratante sem perfume, aplicado com delicadeza, sem fricção; 
  • roupas leves, de tecido macio, evita apertos e atrito;
  • compressas frias em áreas muito irritadas.

O que não fazer:

  • coçar até machucar a pele;
  • banhos muito quentes;
  • álcool em excesso;
  • usar anti-inflamatórios;
  • testar vários produtos diferentes na pele ao mesmo tempo. Quando a pele está reativa, menos é mais.

Quando a urticária é um sinal de alerta

A maioria das urticárias é tratável e benigna, mas existem situações que exigem urgência. Procure atendimento imediato se ocorrer:

  • falta de ar;
  • chiado; 
  • tosse intensa;
  • sensação de desmaio;
  • queda de pressão;
  • inchaço da língua ou dificuldade para engolir. 

Esses sinais podem indicar uma reação sistêmica grave conhecida como Anafilaxia. 

Em todos os casos, o melhor caminho é avaliação especializada, especialmente se a urticária está durando mais de 6 semanas, se há inchaço recorrente ou se a coceira está atrapalhando sono e trabalho.

Se você está com urticária recorrente, crises que vão e voltam, inchaços ou coceira que atrapalham sua rotina, ou já teve anafilaxia, eu posso te ajudar com uma investigação completa e um plano de tratamento individualizado. Entre em contato para agendar sua consulta.

Dra. Ênilis Abreu

Endereços Porto Alegre, RS:

E-Medical

Hospital Moinhos de Vento

Hospital Mãe de Deus

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