Ao longo do ano infecções virais, resfriados e rinossinusites podem afetar crianças e adultos gerando sintomas respiratórios. Estes sintomas também podem ocorrer por alterações anatômicas, medicamentos e doenças crônicas.
A investigação de imunidade baixa, em que o sistema imune fica menos vigilante deve ser realizada se infecções se tornam recorrentes ou geram episódios graves, necessidade de internação e complicações.
O mais importante é identificar quais infecções de repetição têm ocorrido, quanto tempo duram, os germes tratados e quais antibióticos foram necessários para o organismo se recuperar.
A investigação da imunidade começa quando o padrão das infecções sai do esperado para a idade, rotina e condições clínicas daquele adulto.
O que são infecções de repetição em adultos?
Infecções de repetição em adultos são episódios infecciosos que acontecem com frequência aumentada, retornam após tratamentos, exigem muitos antibióticos ou evoluem com maior intensidade do que o habitual.
Na prática, isso pode aparecer como sinusites várias vezes ao ano, pneumonias repetidas, otites frequentes, infecções urinárias recorrentes, candidíase persistente, herpes de repetição, furúnculos, abscessos ou quadros respiratórios prolongados.
O ponto central é observar o conjunto. Um adulto pode ter uma sequência de viroses em um período de maior exposição, como mudanças de estação ou contato com crianças pequenas.
Já infecções bacterianas repetidas, pneumonias, necessidade de antibiótico venoso ou internações exigem atenção. O padrão da infecção conta mais do que um episódio isolado.
Quando a frequência começa a chamar atenção?
Alguns sinais ajudam a diferenciar infecções comuns de situações que merecem investigação imunológica.
Entre os alertas mais importantes estão duas ou mais sinusites importantes em um ano, pneumonia recorrente, infecções que exigem antibiótico intravenoso, abscessos profundos, candidíase persistente, diarreia crônica com perda de peso e infecções virais recorrentes, como herpes, verrugas ou condilomas.
Também merece atenção quem apresenta infecções prolongadas, com recuperação lenta, ou quem melhora parcialmente e volta a adoecer logo depois. Esse comportamento pode indicar que existe um fator mantendo a inflamação ou dificultando a defesa do organismo.
Outro dado importante é a gravidade. Uma sinusite eventual tem um peso diferente de uma pneumonia com internação. Infecções em locais incomuns, por germes pouco habituais ou com complicações também aumentam a necessidade de investigação.
A frequência importa, mas gravidade, duração e resposta ao tratamento mudam completamente a interpretação.
Imunidade baixa em adultos: o que pode estar por trás?
A imunidade pode ser afetada por causas adquiridas ao longo da vida:
- diabetes;
- doença renal;
- doenças pulmonares crônicas;
- desnutrição;
- consumo excessivo de álcool;
- alterações do sono;
- uso prolongado de corticoides;
- quimioterapia;
- imunobiológicos e alguns tratamentos para doenças autoimunes.
Também existem as imunodeficiências primárias, atualmente chamadas com frequência de erros inatos da imunidade. Apesar do nome, algumas aparecem ou são diagnosticadas somente na vida adulta. Nesses casos, a pessoa pode ter passado anos tratando infecções de repetição sem uma explicação clara.
As imunodeficiências podem envolver a produção de anticorpos, o funcionamento de células de defesa ou outras partes do sistema imune. Em adultos, uma das apresentações mais comuns envolve infecções respiratórias de repetição, especialmente sinusites, bronquites e pneumonias.
Investigar a imunidade significa procurar a causa do padrão infeccioso, e essa causa pode estar no sistema imune ou em outros fatores clínicos.
Nem toda infecção frequente vem da imunidade
Essa é uma parte importante da consulta. Antes de concluir que existe imunodeficiência em adultos, avalio condições que podem facilitar infecções repetidas mesmo com a imunidade funcionando bem.
Na rinossinusite de repetição, por exemplo, rinite alérgica, desvio de septo, pólipos nasais, refluxo, tabagismo e exposição ocupacional podem manter a mucosa inflamada. Quando isso acontece, a defesa local fica prejudicada e as infecções aparecem com mais facilidade.
Nas pneumonias recorrentes, é preciso observar asma, bronquiectasias, doença pulmonar obstrutiva, aspiração, refluxo, alterações anatômicas e sequelas de infecções anteriores. Já nas infecções urinárias, entram na avaliação fatores hormonais, hábitos, alterações urológicas, cálculos, diabetes e outras condições.
A boa investigação separa o que é imunológico do que é local, anatômico, metabólico ou ambiental.
Sinais que reforçam a necessidade de procurar um imunologista
Eu recomendo avaliação com alergista e imunologista quando o adulto apresenta um ou mais sinais de alerta de forma persistente. Entre eles estão:
- duas ou mais pneumonias ao longo da vida adulta, principalmente se ocorrerem em curto intervalo;
- sinusites bacterianas repetidas, com necessidade frequente de antibióticos;
- infecções que demoram muito para melhorar, mesmo com tratamento adequado;
- necessidade de antibiótico intravenoso para controlar infecções;
- abscessos de pele ou órgãos internos;
- candidíase oral, genital ou cutânea persistente;
- herpes, verrugas ou outras infecções virais muito recorrentes;
- diarreia crônica associada à perda de peso;
- histórico familiar de imunodeficiência;
- infecções associadas a manifestações autoimunes, como plaquetas baixas, anemia hemolítica ou inflamações sem causa definida.
A presença desses sinais orienta a necessidade de exames e de uma leitura integrada da história clínica.
Como é feita a avaliação da imunidade?
A avaliação começa com uma conversa detalhada. Eu procuro entender desde quando as infecções acontecem, quais órgãos são afetados, quais exames já foram feitos, quais antibióticos foram usados, se houve internações, quais vacinas foram recebidas e como foi a resposta a elas.
Também reviso doenças prévias, medicamentos, cirurgias, histórico familiar, alergias respiratórias, sintomas gastrointestinais, perda de peso, febre prolongada, alterações de pele e sinais de autoimunidade.
Depois, os exames são escolhidos conforme a história clínica. Em muitos casos, a investigação inicial inclui hemograma, dosagem de imunoglobulinas, avaliação de subclasses ou resposta a vacinas, sorologias específicas e exames direcionados para doenças associadas.
A avaliação laboratorial da função imune é parte importante do diagnóstico quando existe histórico sugestivo de infecções recorrentes.
Exames de imagem, cultura de secreções, avaliação pulmonar ou encaminhamento conjunto com outras especialidades podem ser necessários quando o padrão aponta para alterações locais ou complicações.
Se você tem infecções de repetição ou suspeita de imunidade baixa, agende uma consulta com a Dra. Ênilis Abreu para investigar o seu histórico com cuidado, solicitar os exames adequados e orientar um plano de prevenção conforme o seu caso.
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