A rinite alérgica é uma inflamação da mucosa nasal desencadeada por uma resposta imunológica exagerada a substâncias presentes no ambiente.
O contato com esses alérgenos leva o sistema imune a liberar histamina e outros mediadores inflamatórios, resultando nos sintomas característicos da condição como espirros, coriza, coceira nasal e obstrução.
A rinite alérgica é classificada principalmente a partir de dois critérios: a frequência dos sintomas e o tipo de alérgeno envolvido. É dessa classificação que surgem os termos rinite perene e rinite sazonal, que descrevem padrões distintos de apresentação e exigem abordagens terapêuticas específicas.
Rinite sazonal: sintomas que seguem o calendário.
A rinite sazonal tem seus episódios concentrados em determinadas épocas do ano, geralmente associadas a períodos de maior liberação de pólens por plantas específicas.
Gramíneas, árvores e ervas daninhas liberam quantidades elevadas de pólen durante suas fases de floração, e pacientes sensibilizados a esses alérgenos desenvolvem sintomas toda vez que a concentração no ar aumenta.
Nas regiões de clima temperado, a rinite sazonal tem padrão bem definido: primavera e início de verão correspondem aos picos de pólen de gramíneas e árvores, enquanto o outono coincide com a floração de algumas ervas. O paciente percebe que os sintomas aparecem e somem em sincronia com as estações.
No Brasil, o padrão é menos previsível do que nos países de clima temperado. A ausência de estações bem demarcadas em boa parte do território faz com que as épocas de polinização variem consideravelmente por região.
Em algumas áreas, especialmente no Sul e Sudeste, existe concentração de pólens em determinados meses, mas a sazonalidade é menos pronunciada do que na Europa ou América do Norte.
Os sintomas da rinite sazonal costumam ser mais intensos em ambientes abertos, em dias quentes e secos com vento, quando a concentração de pólen no ar é maior. Chuva e ambientes fechados tendem a aliviar os sintomas.
Rinite perene: presente o ano todo.
A rinite perene se caracteriza por sintomas persistentes ao longo do ano, sem período claro de melhora ou piora associado às estações.
Os alérgenos envolvidos são predominantemente de ambientes internos e estão presentes no cotidiano do paciente de forma contínua.
Os principais desencadeantes da rinite perene incluem:
- ácaros do pó doméstico, os alérgenos mais comuns no Brasil, que proliferam em colchões, travesseiros, tapetes e sofás;
- pelos e descamações de animais domésticos, especialmente gatos e cães;
- baratas, cujas partículas fecais e de corpo têm alto potencial alergênico;
- fungos e bolores presentes em ambientes úmidos ou com má ventilação;
- componentes da poeira doméstica em geral.
No Brasil, a rinite perene é a forma mais prevalente, em grande parte pela combinação de clima quente e úmido com o ambiente doméstico propício à proliferação de ácaros.
Pacientes com rinite perene costumam acordar com sintomas, piorar em ambientes fechados e empoeirados, e sentir alívio em locais bem ventilados ou com ar seco.
Como diferenciar as duas formas na prática
A distinção entre rinite perene e sazonal começa pela observação do padrão dos sintomas ao longo do tempo. Algumas perguntas ajudam a organizar essa avaliação:
- os sintomas aparecem em períodos específicos do ano ou estão presentes o tempo todo;
- a piora ocorre em ambientes abertos ou fechados;
- existe relação com animais domésticos, colchão ou tapetes;
- os sintomas melhoram em viagens para outras regiões ou ambientes diferentes;
- há histórico de melhora em locais com ar-condicionado com filtro ou ambientes sem carpetes e tapetes.
Esse mapeamento, feito em detalhes durante a consulta, já orienta bastante a hipótese diagnóstica antes mesmo dos testes alérgicos.
Como o diagnóstico é confirmado
O diagnóstico da rinite alérgica é clínico, baseado na história do paciente e no exame físico. A identificação dos alérgenos envolvidos é feita por meio de testes específicos:
Teste cutâneo de punctura
O método mais utilizado na prática clínica. Pequenas quantidades de extratos alergênicos são aplicadas na pele do antebraço e uma leve punctura permite o contato com a camada superficial da pele.
A formação de pápula e eritema no local indica sensibilização ao alérgeno testado. O resultado é obtido em 15 a 20 minutos.
Dosagem de IgE específica
Exame de sangue que mede os anticorpos IgE direcionados a alérgenos específicos. É útil quando o teste cutâneo não pode ser realizado, por uso de medicamentos que interferem na reação ou por condições de pele que dificultam a leitura dos resultados.
Os testes identificam quais alérgenos estão envolvidos, o que é fundamental para orientar medidas de controle ambiental e avaliar a indicação de imunoterapia.
Tratamento da rinite alérgica
O tratamento envolve três pilares complementares: controle ambiental, farmacoterapia e imunoterapia.
Controle ambiental
Reduzir a exposição ao alérgeno desencadeante é a base do manejo. Para rinite perene por ácaros, as medidas incluem:
- uso de capas antiácaros em colchões e travesseiros;
- lavagem semanal da roupa de cama em água quente acima de 60 graus;
- retirada de tapetes, carpetes e cortinas pesadas dos ambientes;
- uso de aspirador com filtro HEPA;
- controle da umidade do ambiente para abaixo de 50%.
Para rinite sazonal, o controle passa por acompanhar os índices de pólen locais, manter janelas fechadas nos dias de alta concentração e evitar atividades ao ar livre nos horários de pico.
Farmacoterapia
Os medicamentos mais utilizados no tratamento da rinite alérgica são:
- anti-histamínicos de segunda geração, para alívio de espirros, coriza e coceira;
- corticosteroides nasais tópicos, considerados o tratamento mais eficaz para o controle da inflamação nasal;
- descongestionantes nasais, para uso pontual em casos de obstrução intensa;
- antagonistas dos receptores de leucotrienos, como opção complementar em alguns perfis de pacientes.
Imunoterapia alérgena
A imunoterapia é o único tratamento com potencial de modificar o curso da doença. Consiste na administração progressiva do alérgeno ao qual o paciente é sensibilizado, por via subcutânea ou sublingual, com o objetivo de induzir tolerância imunológica. Com o tempo, a resposta alérgica diminui e os sintomas se tornam menos frequentes e intensos.
A imunoterapia é indicada para pacientes com rinite de difícil controle, com comprometimento significativo da qualidade de vida, ou que desejam reduzir a dependência de medicamentos a longo prazo.
Rinite e condições associadas
A rinite alérgica raramente vem sozinha. Pacientes com rinite têm risco aumentado de desenvolver asma, conjuntivite alérgica, sinusite crônica e otite média.
A relação entre rinite e asma é especialmente relevante: as duas condições compartilham mecanismos inflamatórios e, em muitos pacientes, coexistem. O manejo adequado da rinite contribui para melhor controle da asma nesses casos.
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