A tosse começou com uma gripe. A gripe passou, a tosse ficou. Semanas depois, ela continua atrapalhando o sono, as reuniões e as conversas, e o xarope da farmácia já foi trocado três vezes.
Se essa história parece familiar, vale lembrar que a alergia respiratória é uma das causas mais frequentes e menos lembradas desse quadro.
Neste post, você vai entender o que define uma tosse crônica, quais são as principais causas, quais sinais apontam para origem alérgica e como o diagnóstico correto resolve o problema na raiz.
O que caracteriza a tosse crônica?
A tosse é um reflexo de defesa, pois ela limpa as vias aéreas de secreção, partículas e irritantes. O problema começa quando esse reflexo fica ativado por tempo demais.
Em adultos, a classificação segue o tempo de duração:
- tosse aguda, com até 3 semanas, geralmente ligada a infecções virais;
- tosse subaguda, entre 3 e 8 semanas, comum depois de infecções respiratórias;
- tosse crônica, com mais de 8 semanas.
A partir das 8 semanas, a chance de a tosse ser apenas o resto de um resfriado cai bastante, e uma investigação estruturada passa a ser necessária.
As principais causas de tosse crônica
Em pessoas que não fumam, com radiografia de tórax normal e sem uso de certos medicamentos, três condições respondem por cerca de 90% dos casos de tosse crônica. Duas delas têm relação direta com alergia.
Síndrome da tosse das vias aéreas superiores
Antes chamada de gotejamento pós-nasal, essa síndrome acontece quando a secreção do nariz e dos seios da face escorre pela parte de trás da garganta e estimula os receptores da tosse.
A rinite alérgica é uma das causas mais comuns desse quadro, ao lado de sinusite crônica e rinite não alérgica.
Os sinais típicos são pigarro constante, sensação de secreção na garganta, nariz entupido ou escorrendo e tosse que piora ao deitar.
Asma
A asma costuma ser lembrada pelo chiado e pela falta de ar, mas existe uma forma em que a tosse é o único sintoma: a asma variante com tosse.
A tosse é seca, piora à noite e de madrugada, depois de exercício, com ar frio, risada ou exposição a poeira e fumaça.
Cerca de um terço dos casos de tosse crônica em adultos tem a asma como causa.
A bronquite eosinofílica é uma prima próxima, onde a inflamação alérgica dos brônquios provoca tosse, mas sem a obstrução característica da asma.
Refluxo gastroesofágico
O conteúdo ácido do estômago pode subir e irritar a laringe e as vias aéreas, provocando tosse.
Ela costuma piorar depois das refeições, ao deitar e ao falar muito. Azia e queimação podem estar presentes, mas em boa parte dos casos a tosse é o único sinal.
Outras causas relevantes
Antes de fechar o raciocínio, alguns pontos precisam ser afastados:
- uso de medicamentos da classe dos inibidores da ECA, como captopril e enalapril, que causam tosse seca em até 15% dos usuários;
- tabagismo ativo ou passivo;
- doença pulmonar obstrutiva crônica;
- infecções como coqueluche e tuberculose;
- bronquiectasias;
- apneia obstrutiva do sono;
- tumores de via aérea, em casos com sinais de alerta.
Sinais de que a sua tosse pode ser alergia
Alguns padrões aumentam bastante a suspeita de origem alérgica:
- tosse que piora em determinadas épocas do ano ou em ambientes específicos, como casa de parentes com animais, locais com poeira ou mofo;
- crises acompanhadas de espirros em salva, coceira no nariz, nos olhos ou no céu da boca;
- piora ao acordar e ao deitar;
- histórico pessoal ou familiar de rinite, asma, dermatite atópica ou alergia alimentar;
- melhora quando a pessoa viaja ou muda de ambiente;
- tosse desencadeada por risada, exercício, ar-condicionado ou cheiro forte;
- ausência de febre e de secreção com cor.
Os alérgenos inaláveis mais envolvidos no Brasil são os ácaros da poeira domiciliar, seguidos por epitélio de cães e gatos, fungos e baratas.
Pólen tem importância maior na região Sul.
Como a investigação é feita?
A consulta começa com uma história clínica detalhada: quando a tosse começou, o que a desencadeia, em que horário piora, se tem secreção, quais medicamentos estão em uso e quais já foram tentados. O exame físico inclui a avaliação do nariz, da garganta e a ausculta do pulmão.
Os exames complementares dependem da suspeita:
- radiografia de tórax, para afastar causas estruturais;
- espirometria com prova broncodilatadora, que mede a função pulmonar e identifica obstrução reversível;
- teste de broncoprovocação, quando a espirometria é normal mas a suspeita de asma permanece;
- fração exalada de óxido nítrico, que indica inflamação eosinofílica na via aérea;
- teste cutâneo de leitura imediata ou IgE específica para aeroalérgenos;
- nasofibroscopia, para avaliar o nariz e a laringe por dentro;
- tomografia dos seios da face, em suspeita de sinusite crônica.
Em muitos casos, o especialista adota o tratamento empírico sequencial: trata a causa mais provável e observa a resposta em algumas semanas. A melhora da tosse confirma o diagnóstico.
Quando a tosse exige atenção imediata?
Procure avaliação rápida se a tosse vier acompanhada de:
- sangue na secreção;
- febre persistente;
- perda de peso sem explicação;
- falta de ar progressiva;
- rouquidão que dura mais de 3 semanas;
- suor noturno.
Esses sinais indicam a necessidade de investigar outras causas antes de qualquer tratamento para alergia.
Chega de tossir
Tosse com mais de 8 semanas tem causa, e ela pode ser encontrada. Em grande parte dos adultos, a resposta está no nariz e nos brônquios, em uma inflamação alérgica que responde bem ao tratamento certo.
Agende uma consulta com a Dra. Ênilis Abreu e investigue de vez a origem da sua tosse.
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