Os sintomas da conjuntivite alérgica são olho vermelho que coça, lacrimeja e incomoda por semanas seguidas, mas existe tratamento.
A conjuntivite alérgica é a inflamação da conjuntiva, a membrana transparente que recobre a parte branca do olho e o interior das pálpebras, causada por uma resposta imunológica exagerada a substâncias do ambiente.
Ela costuma acompanhar a rinite alérgica, formando um quadro chamado rinoconjuntivite. Por isso, tratar apenas o olho resolve metade do problema.
Como a alergia chega aos olhos?
A conjuntiva fica exposta o tempo todo ao ar e recebe diretamente ácaros, pólen, pelos de animais, esporos de fungos e partículas de poluição. Em pessoas sensibilizadas, esses alérgenos encontram anticorpos IgE fixados nos mastócitos da mucosa ocular.
O encontro provoca a liberação de histamina e outros mediadores inflamatórios em questão de minutos. O resultado é a tríade típica:
- coceira intensa;
- vermelhidão;
- lacrimejamento.
Por que a coceira é o sintoma mais característico?
A histamina age em terminações nervosas sensitivas da conjuntiva, e a coceira ocular é o sintoma que melhor diferencia a origem alérgica de outras causas de olho vermelho.
Quadros virais e bacterianos cursam principalmente com secreção, ardência e sensação de areia nos olhos.
O ato de coçar piora o quadro, porque a fricção mecânica libera ainda mais histamina, criando um ciclo que se retroalimenta ao longo do dia.
Sinais e sintomas
Os achados mais frequentes incluem:
- coceira nos olhos e nos cantos internos, que piora ao esfregar;
- vermelhidão nas duas conjuntivas, geralmente simétrica;
- lacrimejamento constante e secreção clara e fluida;
- inchaço das pálpebras, mais evidente ao acordar;
- sensação de peso e cansaço ocular ao longo do dia;
- fotofobia, com desconforto diante de luz forte ou telas;
- olheiras arroxeadas causadas pela congestão venosa da região.
Tipos de conjuntivite alérgica
Conjuntivite alérgica sazonal
Aparece em períodos específicos do ano, associada a pólens e a mudanças climáticas. Dura semanas e desaparece quando o gatilho some do ambiente.
Conjuntivite alérgica perene
Permanece o ano inteiro, com variações de intensidade. O ácaro da poeira doméstica é o principal responsável, seguido por fungos e epitélio de animais. É o padrão mais comum em cidades de clima úmido.
Ceratoconjuntivite atópica e vernal
Formas mais graves e menos frequentes, com inflamação intensa e risco de acometimento da córnea.
A ceratoconjuntivite vernal atinge principalmente crianças em idade escolar e exige acompanhamento próximo pelo risco de comprometimento visual.
Conjuntivite papilar gigante
Ligada ao uso prolongado de lentes de contato e próteses oculares, com formação de papilas na conjuntiva palpebral superior.
O que confunde o diagnóstico?
Olho vermelho tem várias origens, e o tratamento muda conforme a causa. A avaliação médica é a única forma de diferenciar a conjuntivite alérgica de:
- conjuntivite viral, com secreção aquosa abundante, gânglio pré-auricular e histórico de contágio recente;
- conjuntivite bacteriana, com secreção espessa e amarelada e pálpebras coladas ao acordar;
- olho seco, com ardência, visão flutuante e piora em ambientes com ar-condicionado;
- blefarite, com descamação e crostas na base dos cílios;
- uveíte e glaucoma agudo, quadros que cursam com dor e alteração visual e exigem atendimento imediato.
A automedicação com colírios vasoconstritores mascara a vermelhidão por algumas horas e provoca efeito rebote, mantendo o olho cada vez mais congestionado.
Como é feito o diagnóstico?
A consulta com o alergista começa pela história clínica detalhada, como época do ano em que os sintomas aparecem, ambientes que pioram o quadro, presença de rinite, asma ou dermatite atópica e histórico familiar de alergia.
A investigação é complementada por:
- teste cutâneo de leitura imediata, o prick test, que identifica os alérgenos envolvidos;
- dosagem sérica de IgE específica, útil quando o teste cutâneo é inviável;
- avaliação oftalmológica em casos com dor, alteração visual ou suspeita de acometimento da córnea.
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